Há um Brasil de Mata Atlântica dentro de uma metrópole global. No extremo sul de São Paulo, um território de mananciais, zona rural com sítios de produção orgânica e agroecológica, unidades de conservação, terra indígena e muito mais revela um potencial pouco óbvio, mas decisivo: reposicionar o local como referência em práticas regenerativas associadas ao turismo e experiências cocriadas e transformadoras, com conservação, renda e impacto positivo caminhando juntos.

O primeiro Plano de Desenvolvimento do Turismo Sustentável do Polo de Ecoturismo foi elaborado em 2017 e serviu de norteador para a implementação de uma série de investimentos no território. Em 2024/25, a Turismo 360 apoiou a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, na construção de um novo Plano, considerando o horizonte 2025–2030. Esta atualização tornou-se indispensável frente à velocidade das transformações no turismo recente, impulsionadas por novas tendências de consumo e pela valorização de agendas ligadas à natureza, à sustentabilidade e às mudanças climáticas, que passam a impor novos desafios. O objetivo, portanto, foi compreender a situação do turismo no território e traçar estratégias para sua evolução e posicionamento, com diretrizes e caminhos concretos estabelecidos.

Rafting no Rio Capivari. Foto: Daniel Deák / SPTuris

Rafting no Rio Capivari. Foto: Daniel Deák / SPTuris

Ao todo, o Polo de Ecoturismo de São Paulo ocupa cerca de 28% do território municipal, abrangendo os distritos de Parelheiros, Marsilac e parte do Grajaú. A região é uma importante área de manancial, abrigando as Represas Billings e Guarapiranga, essenciais para o abastecimento de água e a regulação térmica da metrópole. Ao longo de seus mais de 400 km², o Polo reúne unidades de conservação, parques naturais, a Terra Indígena Tenondé Porã e parte da zona rural paulistana. Entre suas atrações, destacam-se cachoeiras, sítios agroecológicos e marcos históricos e culturais.

Dada a extensão territorial da região, a gestão municipal passou a ordenar o espaço por microrregiões, denominadas circuitos, visando oferecer um olhar mais ordenado para a logística da visitação. São 7 regiões/circuitos: a Jaceguava é a principal porta de entrada do Polo de Ecoturismo e conta com atrativos ligados à arte, à produção artesanal, à Mata Atlântica e a práticas sustentáveis. O Circuito Bororé oferece um acesso inusitado: atravessa-se a Represa Billings de balsa até chegar à chamada Ilha do Bororé, uma península com forte engajamento comunitário nas causas ambientais e culturais. A região de Parelheiros é onde se inicia a transição do ambiente urbano para o rural. O território foi local de moradia de Maria Carolina de Jesus, importante escritora negra da literatura brasileira. No Circuito Embura–Ponte Alta, a predominância é de sítios e chácaras. A região da Colônia foi fundada ainda no Império, com a chegada de alemães para o estabelecimento de uma colônia agrícola. No Circuito da Barragem estão parte das tekoas (aldeias) dos indígenas da etnia guarani mbya que habitam o extremo sul de São Paulo, na Terra Indígena Tenondé Porã. Já o Circuito Marsilac se destaca pelo seu grande potencial para o turismo de aventura, com paisagens naturais preservadas e possibilidade de diferentes atividades no Rio Capivari, o mais limpo da capital.

A seguir, reunimos os principais aprendizados que emergiram e os valores que reafirmamos durante o processo:

O paradoxo que muda a narrativa: metrópole global, 54% de cobertura vegetal

As políticas direcionadas ao turismo e ao meio rural vêm impulsionando de forma significativa o turismo no território, em sintonia com um tecido empresarial motivado e com um mercado que demonstra aumento contínuo na demanda por viagens mais frequentes e experiências em contato com a natureza.

A oferta turística da região também avançou de forma significativa, sobretudo pela transformação de recursos naturais em atrativos, pela abertura de sítios à visitação, pela ampliação de vivências em aldeias indígenas e pelo surgimento de novas atividades. Projetos como a Trilha Interparques e os Caminhos da Mata Atlântica se destacam como iniciativas concretas na construção de produtos atrativos para o mercado potencial.

Tais elementos foram sendo revelados ao longo da elaboração do plano estratégico, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada das transformações em curso no território e das oportunidades associadas ao fortalecimento do turismo.

Um plano de turismo não é um inventário: o salto é definir e pactuar a estratégia

No planejamento do turismo, a elaboração de um inventário constitui um passo fundamental para reconhecer e organizar os ativos do território. No entanto, tão importante quanto mapear o que existe é definir, de forma coletiva, a estratégia de futuro desejada, estabelecendo prioridades, pactos e caminhos claros para sua concretização. É essa visão compartilhada que orienta decisões, direciona investimentos e sustenta o desenvolvimento turístico no longo prazo.

O Polo abriga circuitos com opções de trekking, tirolesa, rafting, visitas a aldeias indígenas, entre outras opções. Foto Daniel Deák / SP Turis.

O que o Polo pode ser: dois conceitos-chave na estratégia

A estratégia construída e pactuada para o Polo de Ecoturismo da cidade de São Paulo articula dois conceitos-chave: o turismo regenerativo e a cocriação de experiências. O primeiro vai além da lógica da sustentabilidade ao propor uma abordagem proativa, voltada à geração de impactos positivos sobre paisagens, comunidades e sistemas socioecológicos, com forte centralidade no território e nas pessoas. Já a cocriação refere-se à participação ativa dos visitantes na construção de serviços e experiências turísticas, promovendo colaboração, ganhos mútuos e vivências únicas e transformadoras.

No Polo de Ecoturismo de São Paulo, essas abordagens já se materializam em práticas como a recuperação ambiental, vivências em territórios indígenas e iniciativas de circularidade, indicando um caminho a ser aprofundado e consolidado como estratégia de futuro para o território.

Como parte da estratégia, 8 diretrizes que abordam desde a responsabilidade e conservação até o trabalho em rede:

RESPONSABILIDADE E SUSTENTABILIDADE: abordagem responsável e sustentável do turismo em todas as suas dimensões
CONSERVAÇÃO E PROTEÇÃO: turismo aliado à conservação e restauração da biodiversidade e à proteção dos mananciais
COMUNIDADE NO CENTRO: comunidade local no centro da estratégia de turismo e beneficiária direta de seus impactos
POVOS ORIGINÁRIOS: compromisso, respeito e valorização dos povos originários
VALORIZAÇÃO DO RURAL: valorização do rural como espaço pluriativo, tendo o turismo como um agregador de valor ao campo, seus produtos e práticas agrícolas positivas
TRABALHO EM REDE: trabalho em rede e integração entre os múltiplos atores para a prosperidade do território
VALORIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS LOCAIS: valorização dos movimentos sociais, culturais e criativos como forças competitivas do turismo
ESTÍMULO ÀS VIVÊNCIAS: estímulo a vivências que sensibilizam, conscientizam, educam, inspiram e ampliam a visão dos visitantes acerca da sua relação com o mundo, a natureza e as pessoas.

Regeneração como vantagem competitiva: compromissos e indicadores

O plano também reforçou uma mudança de era. Não basta “minimizar impactos”. O turismo regenerativo busca deixar o lugar melhor do que encontrou, com compromissos práticos e indicadores para acompanhar a execução.

Esse foco cria uma vantagem competitiva real: destinos que assumem metas, monitoram resultados e distribuem benefícios com transparência tendem a atrair públicos mais conscientes, parceiros mais sólidos e investimentos mais consistentes.

Desafios que virão

Nenhum plano sério ignora gargalos. No Polo, desafios como sinalização, acesso, hospedagem, produtos integrados e a construção de fluxos que não dependam apenas de programas pontuais aparecem como agenda de ação, com prioridade e direção.

A mensagem é simples: o futuro do turismo na região não depende só de beleza cênica. Depende de organização, coordenação, foco e investimento inteligente.

Saiba mais sobre os atrativos do Polo de Ecoturismo:
Polo Ecoturismo SP

Acesse o Plano:
Plano do Polo de Ecoturismo 2025–2030 

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