“Debí tirar más fotos”. A frase que viralizou nas redes sociais, depois de embalar multidões no show do porto-riquenho Bad Bunny, traduz um sentimento universal: o desejo de registrar experiências que importam. No turismo, porém, a lógica se inverte. Antes de guardar memórias, é preciso criá-las no imaginário de quem ainda nem chegou ao destino.

Hoje, a decisão de viagem começa muito antes da compra da passagem. Começa na imagem. O viajante percorre perfis, desliza telas, observa fotografias, compara cenários e se projeta mentalmente em experiências possíveis. Nesse processo, a fotografia deixa de ser um simples registro para se tornar um dos principais instrumentos de construção de desejo e reputação.

Segundo a especialista Cynthia Mello, doutora em Comunicação e Semiótica do Turismo, pesquisadora e autora do livro Semiótica do Turismo Aplicada, as imagens são responsáveis por “fazer ver” o destino. Em outras palavras, são elas que tornam visível aquilo que ainda não foi vivido e que estruturam o imaginário da chamada “viagem perfeita”. Para a pesquisadora, compreender os efeitos de sentido que as fotografias produzem vai muito além de reconhecer que elas são importantes. É preciso entender como elas influenciam o consumo turístico e moldam expectativas.

A imagem como infraestrutura simbólica do destino

A força da fotografia pode ser compreendida também a partir das chamadas “potências fotográficas”, conceito trabalhado pelo pesquisador Christoph Tüecke. São quatro dimensões que ajudam a explicar como as imagens atuam no consumo: fazer ver (visualizar), captar atenção, permitir que o observador se projete na experiência e, por fim, estimular a decisão de compra. No turismo, essas etapas acontecem quase simultaneamente.

Nesse contexto, investir em bancos de imagem estratégicos deixa de ser uma ação secundária de comunicação para se tornar uma decisão estruturante de gestão. O banco de imagens é, na prática, uma infraestrutura simbólica do destino. Ele sustenta campanhas, abastece redes sociais, orienta o discurso institucional e ajuda a consolidar o posicionamento territorial.

Mas que imagens devem compor esse acervo? Para Mello, é preciso distinguir diferentes tipos de produção fotográfica. As fotografias profissionais, captadas com intenção promocional, cumprem papel central na construção de narrativas visuais consistentes. Já as fotografias amadoras, produzidas pelos próprios turistas, materializam vivências e memórias afetivas. Ambas têm valor estratégico, mas exercem funções distintas.

A pesquisadora alerta ainda para um ponto sensível: selecionar imagens exige responsabilidade. Fotos turísticas devem convidar, emocionar e provocar desejo, mas precisam representar a realidade do território. Quando a promessa visual não corresponde à experiência concreta, o impacto negativo recai sobre a reputação do destino.

Curadoria, autenticidade e competitividade territorial

As imagens clássicas — como as de cartão-postal ou “foto troféu” — continuam relevantes. No entanto, destinos que desejam se diferenciar precisam ir além do óbvio. A autenticidade tornou-se um dos principais valores buscados pelos viajantes contemporâneos.

Outro elemento decisivo é a curadoria. O uso de conteúdo gerado por usuários (UGC), quando feito com consentimento e critérios claros, fortalece a prova social e amplia o alcance orgânico. Ao mesmo tempo, exige diretrizes bem definidas para garantir coerência com o posicionamento do destino.

Além disso, criar experiências e cenários que estimulem o registro espontâneo também faz parte da estratégia. Cada fotografia compartilhada por um visitante amplia a visibilidade do território e contribui para consolidar sua imagem pública.

No cenário digital atual, a fotografia ocupa lugar central no place branding. Ela não apenas comunica o destino — ela constrói sua identidade. Influencia percepções, molda expectativas e impacta diretamente a competitividade territorial.

O que fotografar?

Se a frase de Bad Bunny virou tendência, talvez ela também funcione como alerta para gestores: tirar mais fotos, sim — mas, sobretudo, saber quais fotos produzir, selecionar e divulgar. Porque, no turismo contemporâneo, ver é desejar. E desejar é escolher.

Por isso, um banco de imagens precisa refletir o posicionamento do destino, ilustrar o storytelling de forma coerente, comunicar experiências autênticas e diferenciais (festas populares, receitas únicas, paisagens icônicas, espécies endêmicas) e considerar imagens de turismo de nicho, atrativos menos populares e gente como a gente vivendo o destino. Escolher imagens genéricas ou desarticuladas compromete a coerência da marca territorial e reduz sua capacidade de atrair visitantes alinhados à sua proposta.

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